Eu e você na tela da Juliana

Conheci a aquarela da Juliana Rabelo no Pinterest no meio de um dia caótico. Respirei por um segundo e corri para seguir a moça nas mil redes sociais. Tem de tudo um pouco, meninices sem fim, ministra cursos e aceita encomenda. Ah, e esse post não é publi😉

Óh só:

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Medo que dá medo do medo que dá

c3bcf6c9718d93b337974a711d8d405bSou medrosa, isso é fato. Com o passar dos anos tenho ficado um pouco pior. Digo “tenho medo” muitas vezes por dia, analisei isso sem querer querendo. Tenho medo de barata, de sequestro, de escuro, de susto em “Stranger Things”, de túnel, de elevador, de lugar fechado com muita gente, de ficar sozinha na vida, de ficar sem celular, de perder o amor, de levar fora de amigo, de não agradar, de terapia, de dirigir, de ficar velha chata, de não conseguir engravidar fácil, e vai.

Parei para tentar entender o fenômeno outro dia com a Pat, a caminho de Curicica. Ela, mãe de dois, tem outros motivos para se preocupar. Ela morre de medo de não estar aqui para Olivia e Tomás. Justo. Tentamos separar os tipos de medo, partindo sempre do princípio que isso é um troço que dá por ignorância. Digo no sentido do novo. A gente não sabe o que vem depois da curva, e isso dá uma insegurança do cacete.

Num primeiro grupo estão as situações que podem resultar em tragédias reais. A gente tem medo de saltar de asa-delta porque, enfim, podemos morrer. Eu tenho medo de dirigir, porque penso que pode rolar um mega acidente sinistro. São coisas que podem sair do controle e dar muito errado mesmo. É um risco, sempre. Ou vai, ou racha.

Num segundo grupo vem o tipo que nasce dessa insegurança do desconhecido. Eu não sei se vai ser difícil ou fácil engravidar, se vou ser boa mãe, se vou ficar bem de franja. Você não sabe se o emprego novo é bom, se o sol da tarde na nova sala vai fazer bem para suas plantas, se o crush do Tinder vai vingar, se sua avó vai estar aqui no seu próximo aniversário. Dá medo mesmo, mas fazer o quê? Só viver para saber (tô muito zen hoje pra chegar a essa conclusão assim, de maneira branda. Deus meu livre cruz credo).

Para fechar, no terceiro grupo, tem o incontrolável vindo do inconsciente. Meu medo de lugar fechado cheio de gente é absurdo e incrivelmente mais forte do que eu. Tento dominar esse monstro – sempre, e toda vez – nos primeiros 20 segundos. Depois entro em parafuso. Com isso, amigo, não vale o risco. Esse medo (essa fobia, na real) não te dá opção nem rota de fuga. Eu não quero saber quem vai me tirar do elevador e nem como, eu só quero sair de lá. Maluca mesmo, fora da casinha. Só a terapia – com cerveja, glúten e muita gordura-trans – para acalmar a alma.

Ainda rola um apêndice que é o famoso drama. Eu banalizo muito o medo. Faço muito mais mimimi e assumo. Medo de barata, escuro, de ouvir aquela música X que me lembra aquela situação X…? Puf, tudo balela. É medo do medo que dá, como canta Julieta Venegas.

Falando com a Duda, num almoço, ela levantou a bola para o ataque: só dá medo porque não temos controle de nadica de nada. Eu, que gosto de planilhar a vida, escrevo emails cheio de bold e cores, organizo o salário para as despesas do mês e não deixo nem por um decreto mensagens pendentes com aquela bolinha vermelha no Whatsapp, me lasco. Nem eu e nem você sabemos o que vem amanhã. E mesmo assim a gente precisa dormir, e acordar, e levantar e trabalhar e enfrentar os paranauê tudo.

Para o que tem solução, quero tentar encarar. Faço um compromisso aqui. Para o drama, prometo maneirar (apesar de ter espírito de Maria do Bairro dentro do coração). Para o que ainda é mais forte que meu juízo, me prontifico a ligar para Lara em breve para retomar a análise. E é aquela coisa, né: vai, e se der medo, vai com medo mesmo (e três gotinhas de rivotril).

Play na Julieta:

Toma aquela dipirona e vai

illustration thinking

Daí toma uma dipirona e vai. Começa o dia com coragem. Toma aquela dose só pra brecar a enxaqueca que promete chegar a partir das 12h. Vai com melancolia e tudo, arrastada, pesada. Tem dias assim: a gente acorda semi-doente, deve ser gripe, dengue, só tristezinha. Sem motivo (sempre tem motivo). Tá ali, escondido, ou escancarado, dentro do coração. Faz o teste: analisa datas, dados, amigos, jantares, fotos, lembranças no Facebook. Alguma coisa bateu aí.

Toma aquela dipirona e vai. Porque tem vezes que é bom curtir uma dorzinha de leve, solitária. Bota o fone e dá play naquele “Wonderwall” maravilhoso. Chora depois daquele filme francês. Se permite ficar 20 minutos chorando depois da última cena. Consola a amiga e se consola junto. Falar para o outro ajuda a elucidar o que está dentro. Tem o nome de terapia.

Toma uma dipirona e vai. Volta pra terapia, ou honra direito a mensalidade da academia. Se mexe, porque a vida segue e você precisa seguir com ela. Sente saudade do que não foi, sente saudade do que já foi. Imagina como poderia ter sido. Ou tenta fazer acontecer. Dá pra pensar e repensar. E chorar ou lamentar. Ou então, foda-se.

Toma uma dipirona e vai, com coragem, porque tudo é fase. Faz um blog, escreve, grita. Não interessa se tem sentido ou não. Não interessa se é perdido ou não. Se pra um vale a pena, então pronto. Já é bingo. E se esse um é você, tá na mosca. Toma e vai.

Três corações 

Aprendi desde cedo que pai é um negócio que vai muito além do sangue. Todo mundo vem de alguém, guarda informações genéticas de outra pessoa que veio antes de você, mas não é isso que define o que você é. O que define é o amor.

O meu primeiro amor deixou esse mundo sem sentido muito cedo, logo depois que dei meus primeiros dois passos e falei “papa”. Eu não tenho lembrança do seu rosto, eu não me recordo da sua voz, não sei como era o sotaque, nem como gargalhava. Mas sei que vim dele, e que ele me encheu de coisa boa.

Tenho seus olhos, seu sorriso torto, e dizem que até o humor é o mesmo. Que lindo. Ele conseguiu me ensinar a andar só por amor, e que bom que foi tão forte para isso. Não me interessa se seu corpo não aguentou o tranco. Todos somos feitos do mesmo material, e esse é finito. Só o amor que não é.

O amor ultrapassa planos, ultrapassa gerações, memórias, histórias, pais e filhos. Eu ganhei um segundo amor anos depois, que me ajudou a continuar andando. Ele pavimentou todas as minhas decisões, com cautela e muito carinho. Ele se tornou meu norte. Ele me deu irmãos, os melhores que eu podia querer. Ele me dá amor.

Feliz sou eu, que tenho dois pais para contar história. Feliz é meu álbum de família, lotado de avós, primos e tios, de várias etnias. Feliz serão meus filhos, que herdarão sangue gaúcho e influência japonesa, tudo num mesmo caldeirão. Feliz serão meus netos, e meus bisnetos, que saberão desde cedo o significado do amor incondicional de um pai.

Feliz dia, para os meus, e para o de vocês ❤️

Para acreditar mais no “pool” da vida

Num restaurantico, perto de casa, dia desses:

– E como é o nome dele?

– Tom.

– Tom?

– É. Tom. Por quê?

– Sei lá. Já tem cara de ser filho de pais alternativos.

– Ué, e isso é necessariamente ruim?

– Não. Só estou analisando. Deixa eu ver uma foto.

(A amiga A mostra foto de perfil do Tom pra amiga B)

– Ah, uma graça! Tem cara de moleque. Cuidado, hein!

– Por quê?

– Chama Tom, cresceu em casa de espírito livre, tem cara de moleque… Só deve fazer merda.

– Ôh, Cris! Você tá aqui para me ajudar, ou não? Eu, hein!

– EI, CALMAÊ! Só estou analisando!

(Silêncio)

– Já sabe se tem amigo em comum com você?

– Pelo que vi, não tem. Mas é conhecido do Fabinho, sabe? Que joga no 10 com os meninos?

– Hum, sei.

– Amanhã vou perguntar pras meninas se elas conhecem…

– E vocês já se falaram mais vezes?

– Só uma. Depois da corrida, ele me adicionou e tal. A gente se falou rapidinho e só. Mas tô querendo puxar papo agora eu, e já marcar mais alguma coisa.

– Eu não sei… Ainda tô tentando entender como foi que você faturou um bofe no Uber Pool. Eu tô achando que é golpe, que ele vai te levar pra um sítio, coisa assim, te roubar, sei lá o que vai fazer com você.

– Tá doida, amiga? Vai nada! Ele desceu da corrida antes, ficou ali perto da Selva de Pedra. Eu tô te achando muito quadrada, Cristiane! Deus me livre! Acredite mais nos “pools” da vida, miga! Se é pra pegar carona, borá pagar barato e pegar o crush certo! Sabe esse troço de caçar Pokemon? Pois eu caço crush no Uber!

E você aí, só pensando na corrida mais barata… Go, girl!😉