
Local: Estacionamento de um hipermercado de São Paulo
Horário: 16h30
Situação: Helena parou o carro e seguiu correndinha para comprar queijos e vinho para o sogro. Era aniversário dele. Pegou os produtos, pagou e, antes de voltar para o estacionamento, resolveu comprar uma casquinha de baunilha no McDonalds. Sorvete na mão, chave do carro na outra, bolsa no ombro e sacolas no braço. Quando deu o “pi-pi” para destravar as portas, eis que surge uma voz.
- Moça, passa aí a grana.
- Hein? Não, obrigada, tô atrasada…
- Que tá atrasada o quê, senhora. Quero sua grana.
- Que grana, meu filho. Que que você tá falando?
- Isso é um assalto, sua anta. Passa a grana!
- ASSALTO?!?
- Shiiiiiiiu, fala baixo!
- (sussurro) Assalto?
- (sussuro) É! Passa a grana!
- Mas moço, eu não tenho dinheiro. Paguei a compra no cartão, e…
- Ah, tá. Você quer mesmo que eu acredite nisso? Uma gata nesse carrão sem dinheiro?
- Sabia que é perigoso? Agora todo mundo fala pra gente andar só com cartão, porque pode acontecer…
- O quê? Um assalto?
- É, menino. Um assalto! Imagina só o nervoso.
- Deus… Tá, e a grana? Cadê a carteira?
- Ah é! Seu assalto… Calma, vou pegar e você vai ver. Segura minha casquinha aqui um segundo…
Revólver de um lado, cara de malvado, casquinha na outra mão…
- Gente, eu preciso dar uma limpa nessa bolsa, sabe.
- Sei… Oh, deve ser essa verdinha aí, não?
- Não, essa é porta-batom. Calma… Achei! Olha só… 0,75 centavos! E aí, ficamos como?
- Eu que te pergunto!
- Olha, eu tenho queijos.
- Oi?
- Queijos, de comer, sabe?
- E o que eu faço com queijo?
- Come, ueh! Faz uma festa, convida uma galera, aniversário, sei lá eu.
- Tá de brincadeira com minha cara, madame?
- Amado, são queijos caros! Tem nada de brincadeira não…
Nesse momento, um homem se aproximou para pegar o carro parado na vaga ao lado.
- Me beija.
- OI?!
- Shiiiiiiiu!
- (sussurro) oi?
- (sussuro) me beija…
- Mas era só o que me faltava mesmo…
- Para de reclamar. Se o cara perceber que tô te assaltando vai ser pior pra você!
- Amado, vai ser MELHOR pra você. Ele tá com cara de quem tem grana. Você vai lá, pega um dinheirinho e ainda me arruma um trocado pro estacionamento…
- Cala a boca e vem aqui!
Helena fez o sinal da cruz, boca de velha e fechou os olhos. O beijo foi rápido, no cantinho. Revólver em uma mão, casquinha derretendo na outra…
- E segura essa merda de casquinha. Já tô todo melado.
- Eu já nem quero mais essa merda. Leva pra você! E mais os 0,75 centavos. E posso ir?
- E os queijos?
- Ah, agora tá dando valor, né!
- Eu quero esse de bola e o amarelão.
- Mas esse mofado é o mais caro!
- Ah tá… Você tá claramente de brincadeira com minha cara. Olha que eu atiro, hein…
- Amado, não me enche. Pega o queijo logo, por favor… Quero pelo menos comer minha casquinha em paz, já que o sorvete está no tapete do carro…
- E a senhora tá indo pra onde?
- Perdizes.
- Po, me dá uma carona?
- Vai me deixar em paz depois disso?
- Prometo. Mas quero o queijo amarelo. E os 0,75 centavos… Vou dar pra minha mãe de Dia das Mães.
- Ah, que fofo! Fechado. Sobe.
Nossa, parece que já escutei essa história em algum lugar! Que azarada mais maluca essa Helena, rs
Muito boa a sua narrativa, flor!
Morri de rir de novo enquanto escrevia! Amo a Helena!