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O John Mayer lançou “Battle Studies” hoje. Ouvi só duas músicas, mas até o momento concordo com o artigo do Colherada Cultural: é mais do mesmo. Mesmo assim, vou comprar o CD, porque adoro o som do cara e passa de 2 horas da manhã e tô ouvindo “Gravity”, umas das queridinhas. Mando letra e link para o vídeo abaixo. Sem histórias por esse post. O sono tá chegando… Mas prometo novas em breve!

Gravity – Live in LA
Gravity is working against me
And gravity wants to bring me down
Oh, I’ll never know what makes this man
With all the love that his heart can stand
Dream of ways to throw it all away

Oh, gravity is working against me
And gravity wants to bring me down
Oh, twice as much ain’t twice as good
And can’t sustain like a one half could
It’s wanting more that’s gonna send me to my knees

Oh, gravity stay the hell away from me
Oh, gravity has taken better men than me
How can that be?

Just keep me where the light is
Just keep me where the light is
Just keep me where the light is
C’mon keep me where the light is
C’mon keep me where the light is
C’mon keep me where, keep me where the light is

- “Então, Gabi, daí você faz isso. Se chegar Madonna, foto na galeria dela e notinha. Ah, e Aguinaldo Silva…”

PUF!

Eu estava mandando a mensagem acima por MSN para Gabizoca, minha parceira de redação, ontem umas 22h10. Daí, PUF. Não foi um PUF do nada, foi apagando, falhando e PUF. Ainda bem que eu não estava sozinha no trabalho. Os meninos do esporte estavam comigo, fazendo os jogos do dia.

- Gente, que foi isso? Ih, tá Copacabana toda sem luz.
- Alguém liga ae pra redação de São Paulo.
- Eu tô ligando…

Na hora, a Gabi tocou no meu celular.

- Nina, oi, é a Gabi. Escuta, acabou a luz aqui em casa e…
- UEH! Aqui também!
- JURA? Hahahaha, ai meu Deus…

Até a gente entender (via rádio de pilha que o prevenido do Sandro carregava na mochila) que metade do País estava sem luz, eu pensei em tudo. Tudo mesmo!

- Gente, medinho!
- Cara, agora só falta vir uma onda gigante tipo tsunami, tá ligado?!
- Para, Sandro! Vira essa boca pra lá!
- Gente, olha que bizarro. Só o “Graça de Deus” da igreja ali na frente que tá iluminado!
- Ai, Senhor. É um sinal. Bora começar a se confessar ae, porque o negócio tá ficando tenso.
- Tá igual cidade fantasma, cara.
- E pior é que nem falar no celular eu tô conseguindo! Que mais diz aí no rádio, Sandro?
- Escuta: “As mensagens não param de chegar. Leblon, tudo apagado. Grande ABC, em São Paulo, às escuras. Minas Gerais, também temos registros…”
- Gente, vai descer uma nave aqui e levar todo mundo.
- Hahahaha, é, um ataque!
- Minha tia já me ligou perguntando se era alguma coisa com a Venezuela…
- O lance é a gente ficar em paz! Quero ir pro além amiga de vocês!

O além não chegou. Ainda bem. Quero viver um cadiquinho mais. Por sorte, o Du, meu salvador, estava pela Zona Sul e me pegou na redação. O “Graça de Deus” da igreja continuou ligado lá em Copa. E voltando para a casa eu vi o pôster do filme “2012″, sobre o fim do mundo. “Nós fomos avisados”, diz o cartaz. Eu não fui avisada de nadica! Não mete essa! Só sei que foi tudo muito sinistro, eu precisei subir 17 andares de escada e tô com dor no corpo todo. E nem é sexta-feira 13 ainda, hein!

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PUF... acabou.

gadu

"Deixa estar que o que for pra ser vigora"

Conheci Maria Gadú por uma entrevista na revista do “O Globo”. Já faz algum tempo, mas o nome diferente e as belas fotos da matéria me chamaram a atenção. Daí joguei o nome do Youtube, pra variar. Me encantei por “Bela Flor” e entendi o motivo de vários poderosos da MPB terem se declarado fãs da moça. Corri pra alguma loja pra comprar o CD. Na primeira tudo que ouvi foi “acabou”. Fui na segunda, dias depois: “Ixi, tá esgotado”. Na terceira, na semana seguinte: “Pô, eu nem sei quando vai chegar.

“Diacho”, pensei. “Essa garota deve ser boa demais. Só pode. Pra me fazer ter esse trabalho todo”. Até que um dia eu tava andando com o Du num shopping e entrei em uma livraria pra passar o tempo. Costumo me perder em livrarias e se não é ele me puxando pra sair, fico lá uma eternidade. Fui para a parte de música.

- Escuta, tem Maria Gadú aí?
- Pô, nem tem.
- Ah, tcho adivinhar: acabou?!
- Acabou mesmo. Deve chegar semana que vem.
- Beleza, já esperava.

Fui para o caixa com “Doidas e Santas”, de Martha Medeiros, nos braços. O Du me cutucou e apontou uma pilha de CDs no caixa. Ele começou a mexer e o penúltimo CD da pilha era de Gadú. “Caraca! Nem acredito!”. Aproveitei para comprar o novo da Céu também, mas confesso que não consegui parar para ouvir ainda.

Há algumas semanas, fui cobrir a gravação do DVD da Preta Gil (@PretaMaria) na The Week, no Rio. Maria Gadú estava por lá. Não costumo fazer isso, mas foi mais forte do que eu. Usei o crédito de jornalista (de fato, pretendo fazer matéria em breve com ela) para parar a moça na saída do banheiro e confessar meu vício por seu som. Troquei algumas palavras com ela e mais Marcinho (@marcio_nunes), outro viciado, e pronto. Vínculo estabelecido. Peguei contato de Gadú e fiquei ainda mais fã com sua simpatia.

Só faltava uma coisa. Um show ao vivo. Tentei ir em vários e sempre dava errado. Até que este sábado eu fui, e quase morri de tanto calor na Fundição Progresso, na Lapa. Gadú foi a primeira a entrar no palco. Diacho de menina, tem aquela voz fina, leve, e faz do microfone uma ponte para cantar feito sabiá. Maria parece que tem pulgas nos pés e pernas; ela cruza, descruza, tira a sandália, levanta, tropeça na sandália, chuta a garrafinha d’água.

Ela começou com “Encontro”, minha preferida. O Du tava comigo, pingando de calor igual, e também parecia hipnotizado. Chegou a vez de “Ne Me Quitte Pas”, a preferida do Du. Tenho de ser sincera: o ao vivo perde um pouco no vocal, sem a segunda voz safada que deixa a música um brinco no CD. Mas a “performance” de Gadú é envolvente. Ela levanta do banquinho e começa a soltar os famosos versos em francês. Faz do pedestal um corpo: o abraça, dobra, levanta, chuta.

E tudo bem que “Shimbalaiê” é a música da novela e talz. O bis poderia ser mais de Leandro Leo com “Laranja”. O “pequeno grande amigo” da moça é também um “enorme grande músico”. Me deixou boquiaberta! Saldo mais que positivo para Gaduzinha, que não é íntima minha, mas já faz parte do meu dia-a-dia. Viu, bela flor? Obrigada por seu som e poesia.

mensagem

É o Conta que eu Conto dando uma de site de horóscopo. Você, que é de áries e não do Piauí, como a Sthefany do CrossFox, fique tranquilo e força na peruca!

Amanhã tem plantão e show na Fundição da Maria Gadú, Paralamas e D2. Sinto cheiro de história boa no ar!

Lembra da história do Cristóvão Colombo? Passou! Eu sei, eu sei, posso parecer uma maluca, mas eu tenho uma justificativa muito razoável para a revolta do post anterior: a temida TPM. Minha mãe vive me falando para comprar Primoris, que vai estabilizar meus hormônios nessa fase do mês. Ela sabe que me irrita demais quando fala que eu estou irritada, mas de fato eu viro uma outra pessoa. Ei, parte do processo de cura é reconhecer seu próprio defeito, certo? Meu psicólogo (se eu tivesse um) ficaria orgulhoso disso.

Vai de mulher para mulher, mas a minha TPM é mesmo devastadora. Eu sou capaz de berrar com minha pobre avó e dar patadas sinistras no Du (sorry, amor). Minha mãe também sofre e minha irmã então, nem se fala. Nessa última TPM, quem sofreu foi a Claudia, a toda-poderosa dos cachos. Respondendo o comentário da Giu, que também é cliente da moça, não, amiga, ela não falhou. Eu que não sabia lidar com o novo corte.

Devia ter calculado os dias para a “fase do terror” (calhou com Halloween, que coisa, não?!), porque mudar algo na rotina nessa fase do mês é morte. Sério mesmo! Cabelo, então, que é seu melhor-amigo-inimigo… onde eu estava mesmo com a cabeça? Enfim, aprendi a secar o bicho e agora estou amando de novo! Claro que o Du ajudou nesse processo (amor, juro que vou comprar o Primoris), e soube colocar fim na minha TPM, como ele sempre faz.

Um mês aí eu tava péssima. Chorando por tudo e gritando por nada. Daí ele me ligou e pediu para eu descer, encontrar com ele na rua. Não entendi nada e já estava xingando a vida:

- Ai, amor, que foi? Tá a maior chuva e você quer sair de carro?
- Calma, nega, você vai ver onde vou te levar. (…) Você tá chorando?
- Ai, tô. E daí?
- Hahahaha, o que foi, neguinha?
- Ai, nada!
- Como nada? Tem que ter acontecido algo. Ninguém chora por nada.
- Você não me fala logo onde a gente vaaaaai. 
- Ueh, mas é surpresa.
- Tá bom. 

Daí o Du tomou o caminho de um lugar lindo, que mesmo com chuva é romântico. Era um mirante, que pra gente significa bastante. Não dava para ver muita coisa, mas aquele silêncio me acalmou, e por 10 minutos esqueci minha TPM aguda. 10, não… foi quase por 1 hora. O efeito se estendeu.

- Brigada, amor!
- Tá mais calminha?
- Calminha? E quem disse que eu tava nervosa, hein? Eu te falei alguma coisa? NÃO! Eu não estava nem estou nervosa. Que saco, todo mundo acha que eu viro bicho. Eu fico um pouco alterada e só. Mania de querer mandar nas minhas reações. Minha mãe quer me dopar com a tal plantinha que acalma. Você fica me enchendo, e me faz chorar com essa pressão. Tudo bem, eu amei o mirante, mas não tô nervosa!!!
- Eu sei, amor. Vamos voltar?
- Ai, vamos… (chorando).

Vai entender, né! Para terminar, e acalmar os nervosos de plantão com meu cabelo Cristóvão, aí vai foto da juba. Com escova, é claro! E para a Bia, que perguntou onde encontrar a diva Claudia, aí vai: Salão Tampopo (www.tampopo.com.br). Vale o preço, juro! E ainda rola uma promoção de levar uma amiga e pagar 50 – 50 o corte! Aproveita ;)

 

mugshot fashion

mugshot fashion

Eu tenho birra com aquelas pessoas que vão ao salão e pedem para a cabeleireira cortar apenas “um dedo e meio”. Gente, cabelo cresce! Mesmo! Por isso, sempre que vou encontrar a maga dos cachos, a Claudia, exagero na pedida. “Claudia, curto, moderno e prático”. O resultado é sempre bem agradável, principalmente por conta da minha falta de medo de fazer uma megacagada e precisar raspar. Tudo bem, escrever é uma coisa, fazer é outra.

Enfim, na semana passada fui ao salão da Claudia, em SP, e pedi o combo de sempre. “Curto, moderno e prático”. Só que tem um detalhe: nós, meros mortais, esquecemos que temos o cabelo mais comum do universo. E por mais que você se inspire no corte da Mariana Ximenes em “A Favorita” com um mix de Flavia Alessandra em “Caras & Bocas”, não vai sair daquele jeito. Elas têm um profissional (tipo Torquatto) sempre que precisam “domar a fera”. Portanto…:

- Claudia, hoje vim com ele ao natural. Não sequei, estiquei, nada. Viu que ele dá uma armadinha? E tem tem uns cachos meio rebeldes aí no meio? Leve em consideração, ok?
- Pode deixar. Vou seguir mais ou menos a mesma linha da outra vez. Que acha?
- Acho ótimo. Se quiser, pode tirar um pouquinho mais [olha a cagada aííí. Ansiedade pura.]
- Tá, fique tranquila.

E com ela eu fico mesmo. Claudia tem história com as Puquianas do Jornalismo de SP. Não sei quem foi a primeira, mas agora ela tem umas 20 clientes da mesma fonte. E todas que cortam com ela ficam simplesmente maravilhosas. Ela tem uma química com aquela navalha lá, é incrível.

- Claudia, fico de cara com sua habilidade.
- São anos e anos, minha amiga.
- Sim, mas você pega de qualquer lugar e taca a navalha.
- Pode parecer de qualquer lugar, mas tá tudo pensado.

Sei… tudo pensado? Ela pega do nada sim que eu vi! O cabelo é meu, pombas. Confessa que você não sabe o que faz e por sorte e ajudinha divina o cabelo fica lindo. Gente, cadê a coerência?! Ela estica, taca a navalha. Seca, pega a tesoura. E vai cortando… vai cortando… vai cortando…

- E aí, o que achou?
- Animal!!! Adorei, sério!
- Ah, brigada querida. Te aconselho a fazer uma progressiva só na frente.
- Ah…ok.

WHAT? Uma progressiva? Esse é seu conselho? Depois que você corta, você aconselha a cliente a fazer uma progressiva? Gente, morte! Para quem não sabe, uma progressiva é para alisar a juba. Ou seja, a frente do meu cabelo vai encolher e ficar ridícula assim que eu lavar e sair o “efeito-salão”. Como de costume, o primeiro e o segundo dia foram alegria-alegria. Daí lavei. É, eu lavei. E minha tia olhou meu cabelo e disse: “Tá parecendo o Cristóvão Colombo!”.

Curto, moderno e prático

Eu não descobri a América e nem sei se esse cara é o mesmo o cara. O Google que disse. Enfim. Fiquei um pouco assustada com a comparação. A progressiva será feita. E para término de conversa, MEU CABELO NÃO TÁ IGUAL DESSE MALUCO AE! Viu, tia? Posto foto depois, para manter a audiência do blog e a curiosidade de vocês (confesso que estou com preguiça de pegar o cabo da máquina, rs).

centralpark

peace

Bateu saudade do verão de New York.

E para os interessados (meus 12 leitores fiéis), já estou conectada com o mundo novamente! Meu laptop recebeu alta e já está em casa! Isso quer dizer posts com mais frequência! ;)

ele, eu e elazinha

ele, eu e elazinha

Para quem me acompanha no Twitter sabe que eu estou com meu laptop quebrado. Já mandei pro conserto e em breve ele deve receber alta. Por conta disso, não consegui postar uma história especial para minha irmã, como prometido no “Toma que os irmãos são seus”. Mas, já dizia o sábio, antes tarde do que nunca. No dia 23 essa mocinha completou 16 anos. Cara, 16 anos. Outro dia eu estava na clínica com minha mãe e hoje ela tem 16 anos. Enfim, irmã mais velha tem umas neuroses de mãe, de que irmão não cresce. E eu tinha um pouco dessa neurose com ela. Até que, na virada do dia 22 para 23, tivemos o seguinte diálogo:

- Oi oi oiiiii!
- Oiiiii, brigada!!
- Brigada o quê? Eu nem te desejei nada ainda. São 23h54… calma!
- Ah tá, rs… E tudo bem por aí?
- Tudo sim. E vocês?
- Tudo bem. Onde você tá? Quem tá aí?
- Tô no quarto da vovó, com ela e Iuth.
- Hum…
- 23h56…
- Hehehe… a mamãe tá aqui deitada comigo. Te mandou um beijo.
- Manda outro pra ela.
(…)
- 5, 4, 3, 2, 1… PARABÉNS!!!
- Êêêêêê, brigada!!!
- Muitas felicidades e tudo de bom! Tá todo mundo mandando beijo!
- Ah, valeu! Manda um beijo também!
- E aí, vocês vão sair para jantar para comemorar?
- Ah, não, eu tenho uma festa pra ir.
(Oi? Uma festa?)
- Hum, entendi. Ah, e como estão os preparativos para viagem?
- Tudo bem. Conversei com várias amigas. Vai ser irado lá. Tem várias coisas iradas pra fazer, lugares pra sair…
- Mas você vai com a tia Russa, né?
- Ah, não em todos os lugares.
(Sair na Califórnia? Sozinha?)
- Hum, entendi. Ah, eu fui no cara da tatuagem. Ele é ótimo. Vou fazer com ele mesmo.
- Legal! Eu acho que vou fazer uma lá na Califórnia.
( Oi? Tatuagem?)
- Mas você é pequena ainda!
- Pequena? Mas eu acho que se eu for com a tia Russa eles deixam…

É, pode ser. Tatuagem? Festa na noite? Ela não é mais baby? Cresceu! De verdade! A comprovação vem quando seus amigos, os da sua idade, olham para a caçula e falam: “Caraca, ela tá linda”. Oi? Gente, isso não dá cadeia? Tá bom, tá bom. Eu reconheço que ela tá quase mulher. Quase, ainda. Parabéns, gatinha!

Eu acho que eu... ops.

Eu acho que eu... ops.

Uma das coisas que eu acho mais engraçada é o engano. O “ops”, o “ai, ui”, e o “foi mal” normalmente aparecem depois de algum engano, ou, se preferir, cagada. Dentre todas as possibilidades de engano, a ligação é uma das minhas prediletas. Todo mundo, depois de atender uma ligação errada, dá uma risadinha. “Rs, achou que fosse a Joana”. “Rs, o cara cismou comigo”. “Rs, ele queria falar com o Uélington”. Poisé, esses dias eu recebi uma ligação por engano. E foi mais engraçada do que eu imaginei:

- Alô?
- Oi, tá boa?
- Quem fala?
- É Sônia, Meire. Tá boa?
- Não tem nenhuma Meire aqui.
- Ham? Que foi, Meire?
- Não, senhora, não tem Meire aqui.
- Num tem o que, Meire?
- Senhora, eu não sou a Meire.
- Ahhhhhh, tá querenu me enganar igual Maicon fez semana passada com a Mariana, né! Hahahaha, aquela foi demais. Ela caiu igual idiota.
- Sônia (resolvi chamar pelo nome, não sei onde estava com a cabeça), eu não sou a Meire. Não tô enganando ninguém.
- Ah, não? Então cumé que tu sabe meu nome?
- Ueh, a senhora me falou assim que atendeu!
- Falei nada, ow. Tá querendo me enrolar… Num é a Meire que faz doce não?
- Não, moça… eu nem gosto de doces.
- Ah, meu pai… E como é que eu fico?
- Oi? Como assim…?
- A Meire ia aqui me trazer as coisa que preciso pra festa… os brigadero, os doce de doce-de-leite…
- Senhora, desculpa, eu preciso desligar…
- Mas você num conhece a Meire memo?

Não. Juro! Se, por favor, alguém sabe por onde anda a Meire dos doces, favor avisar urgentemente a Sônia.

Elviraaaaaaaaaa

Elviraaaaaaaaaa

Sexta-feira passada, dia 9, eu tirei uma folga no trabalho e tinha programado ir para São Paulo. Nos meus planos eu ficaria com minha mãe, matando saudade de casa, da família e amigos, até segunda, dia do feriado. Só que feriado, para quem ainda não se deu conta, é sinônimo de inferno. O pior para quem decide sair da cidade onde mora no feriado é que, ultimamente, você não tem escapatória.

No caminho até seu ponto final, você vai ver escorrer pelas janelas do carro toda grana que você gastou na ioga para se tornar um cara mais controlado. Ou na fila dos aeroportos, você vai deixar de lado a educação e vai, com certeza, chamar a atendente do guichê da companhia aérea de bosta de vaca (umas 5 vezes). Ou na rodoviária, você vai dar malada de propósito no velhinho que está na sua frente na fila, só para ele se machucar e você tomar seu lugar.

É triste, mas é isso que acontece. E fora trânsito, tem uma coisa nesse inferno todo que me irrita demais: vendedora de passagem de ônibus. Aquela mocinha aparentemente simpática que fica atrás de um vidro no guichê das companhias. Essa senhorita tem o dom de tirar uma pessoa do sério. Quando ela berra pelo único buraco que tem naquele vidro e bate com a caneta Bic azul ali me dá nos nervos. “São Paulo, convencional com ar, poltrona confortável, saída em 15 minutos. Ô moça, São Paulo, convencial com ar…”.

Na sexta, o Rio parou com a saída do feriado. Então transferi minha ida para sábado de manhã. Minha internet (para completar o pacote) estava falhando e decidi ligar (não sei onde estava com a cabeça) para a mocinha do guichê do call center:

- Alô, Elvira na linha. Obrigada por escolher a 1001. Em que posso ajudá-lo? 
- Oi, eu queria uma passagem para São Paulo, para amanhã pela manhã.
- Para que horas, senhora?
- Entre 7h e 8h. O que você tem?
- Temos vários carros nessa faixa de horário, senhora. Qual a senhora quer?
- Hunf, sei lá… 7h40.
- Ah, 7h40 num tem.
- E o que tem, minha filha? (chamou de minha filha, o negócio tá ficando sério)
- 7h45. Serve?
- Serve, querida.
- Qual poltrona, senhora?
- Alguma janela, do lado esquerdo do ônibus, por favor.
- Mas qual número da cadeira, senhora?
- Minha filha, você tá com a janela das poltronas aberta aí no seu computador?
- Sim, senhora.
- E as livres são quais? Que cor?
- Amarelas, senhora.
- E as ocupadas?
- Vermelhas, senhora.
- Então me vê a 23.
- Ela está vermelha, senhora.
- Jura?!?!? Como que eu poderia saber disso se você não me falou?
- A senhora poderia me ligar com a tela do seu computador aberta nesta página.
- Meu bem, se eu estivesse com a internet funcionando, eu teria comprado online e não estaria falando com você!
- Senhora, mas por um lado é bom se comunicar.
- Hein?
- Como é o nome da senhora mesmo?
- Marina Ramos.
- RG?
- XX XXX XXX – X
- Signo?
- Ham!? Isso faz parte do formulário para a compra?
- Não, mas a mocinha que trabalha aqui do lado é também astróloga nas horas vagas. Ela pode descobrir a causa do seu stress.
- Escuta, meu bem, como é seu nome mesmo?
- Elvira.
- Ah sim, Elvira. Pois saiba que o nome do meu stress é seu xará!
- Ahhh, jura?!?!
- Juro! Você é meu stress, Elvira!!!! Cancela essa merda ae! E vai pastar!

Me dopei de passiflora e rivotril depois dessa. Viagem? Que nada… fiquei no Rio mesmo. Evitei a fadiga. Amanhã tô na primeira aula de ioga. 

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