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Hey, Brazil!

Eu não me recordo direito como conheci o som de Raul Midón. Só sei que na hora me encantei. O cara trata seu violão como se fosse uma mulher por quem é apaixonado: ele faz carinho, briga, puxa com força, toca suave e cria um ambiente simplesmente delicioso. A primeira música que escutei foi “State of Mind”, no Youtube mesmo, quando ele foi no Letterman. Sempre com uma boina ou chapéu ou algo parecido na cabeça e de óculos escuros, já para anunciar a real cegueira, Midón toma conta da cena.

A batida no violão tem altos e baixos, assim como sua voz. Ele parece que faz tudo sem nem pensar. Assim, fácil fácil. O Du também adorou o som do cara, e foi tentar tocar alguma coisa – a gente achou um tutorial na internet. Nem passo por passo em slowmotion deu certo. O jeito é apreciar mesmo. Deixo para vocês a letra e o vídeo de “State of Mind”. Mas vale procurar também as canções de “A World Within a World”:

State of Mind – Raul Midón
Used to sit and worry about the future
Worrying about the future don’t change the past
Used to think that tomorrow would be better
But now i know that i’m doing the best i can
I’m just a man trying to find the reasons why i stand
Took some time to realize that i am what i am
And i wanna be rich, i wanna be happy
And live inside a love that shines bright enough to last a lifetime
I wanna be rich more than a fantasy
Ride the winds and climb, cause it’s all a state of mind

Wake up in the morning and i turn the pages
Don’t understand what’s going down
Everybody’s acting so outrageous
It’s gonna take a lot of love to turn things around
I’m just a man trying to find the reasons why i stand
Took some time to realize that i am what i am
And i wanna be rich, i wanna be happy
And live inside a love that shines bright enough to last a lifetime
I wanna be rich, more than a fantasy
Ride the winds and climb cause it’s all a state of mind

Hear people talk about going to heaven
Grab a little bit of heaven right here on earth
Troubled times lead to healing times
I was sad now i’m feeling fine
It’s the taking and the giving that makes this life worth living,
Makes this life worth living
I wanna be rich, i wanna be happy
And live inside a love that shines bright enough to last a lifetime
I wanna be rich, more than a fantasy
Ride the winds and fly,
Spread your wings and fly
Cause its all a state of mind

Ride the winds and climb,
Spread your wings and fly
Cause its all a state of mind

Eu sempre soube que faria uma tatuagem algum dia. E eu também sempre soube que não teria coragem de fazer algo “modinha”. Claro que passei pela fase “estrelas” e “borboletas” (atenção: não critico ninguém com estrelas e borboletas no corpo. Só é algo que não combina comigo), mas me segurei com a esperança de que o desenho perfeito chegaria. E chegou. Há uns quatro anos, quando conheci o trabalho da sensacional Beatriz Milhazes.

Se você não tem a mínima ideia de quem é a moça, corre pro Google e passa a conhecer já! Ela merece atenção pelo talento absurdo! Passei por diversos quadros com o objetivo de encontrar um pedacinho que tivesse minha cara. As florzinhas, bolinhas e rococós por si já estavam valendo, mas queria bater o olho e falar: é isso!

É ISSO!

Tá vendo a parte preta da esquerda do quadro? Poisé, era isso! Desenho na mão, faltava o estúdio e a coragem. Se você acompanha o blog sabe que já fui em vários estúdios, inclusive no tal “bração” do Arpoador. Por Deus, destino ou seja lá o quê, conheci o estúdio King 7 Tatto, que fica DO LADO da redação. Cheguei toda cheia de medo (e traumatizada pelo experiência do “bração”) e fui recebida por um cara que me ouviu, me aconselhou e foi simpático. Para fechar a boa notícia, o tal cara disse que se chamava Nino!!!

- Filha, é um sinal! Faz com ele mesmo, Nina!
- Rs, é acho que vou fazer sim, mãe.

E marquei. Cagando de medo, mas marquei. Acho que até emagreci até ontem, sábado (30), the big day. Tive um piriri ferrado de nervoso e estava morrendo de medo da enxaqueca dar as caras. Ela ficou no canto dela, e eu tomei coragem pras agulhadas! O resultado ficou além do que eu esperava. A mão leve e sádica de Nino (palavras dele) estamparam Milhazes no meu braço esquerdo. Ah, e a dor? Preparei uma listinha das coisas que sinto com frequência ou já senti e que, sem sombra de dúvida, me fazem (ou fizeram) sofrer bem mais:

- Enxaqueca (disparado em 1º lugar)
- Depilação na virilha (se for cavada, então… vixi)
- Unha encravada (é nojento, eu sei, mas é fato que dói muito. Tenho vontade de chutar a cara da manicure)
- Cólica punk (Ponstan nela!)
- Chutar o cantinho da porta com o dedinho (fiz careta só de pensar)
- Dor de dente
- Dor de ouvido
- Quando cai igual uma pata na piscina do prédio com 12 anos
- Fisioterapia pós-operação no joelho
- Discutir com o Du
- Quando o Du discute comigo
- Segundo dia de academia

Quer me ajudar na lista? Comenta ae! ;)

Com sorriso de canto de boca, pomada e plástico filme

"Quer cavada ou normal, querida?"

Eu não sei quem é a dona do texto, mas achei graça e resolvi jogar aqui no Conta que eu Conto. Recebi por e-mail, por essas correntes que nunca leio. Enfim, se soubesse o crédito colocaria com o maior prazer:

“‘Tenta sim. Vai ficar lindo.’
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve, mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.
Eu imaginava que ia doer porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria.
Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às…. Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal.
Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue.
Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura.
Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça.
Meu Deus, era O Albergue mesmo.
De repente, ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- É… é, isso.
Penélope, então, deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco, senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia p-o-r-r-a nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Ar-re-ga-nha-da, né?
Ela riu. Que situação.
E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem.
Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca.
Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.
Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todas porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação. Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pen-te-lhi-nho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali.
Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando entre uns blá-blá-blás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada.
Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci a Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bu-nda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o “olho que nada vê”. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, pei-dar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o c-u de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks.
Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil c-us por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bun-da tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha mais pra contar a história. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xin-ga-men-tos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Por-ra.. Por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa me-rda…
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção.
Ela viu tudo, da perereca ao c-u. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança.
Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada e matar o primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada.!!! Não fiz nada disso… Um mês depois…
- Normal ou cavada?
Coisas de perereca, vai entender…”

Começo de ano para mim é, tipo, inferno total! É Ano Novo, Fashion Rio, “Big Brother Brasil”, Fashion Week, final de “A Fazenda”, Carnaval e viver que é bom, nada! Mas enfim, é por conta dessa correria que o Conta que eu Conto tem andado meio abandonado. Você ainda gosta de mim? Eba! Eu sabia que sim, rs.

E por falar em “BBB”, já que essa é, no momento, a única coisa que faço na vida, outro dia escutei uma conversa curiosa. É muito engraçado como o público se apropria do programa. O treco tem só uma semana que o povo já rotulou todo mundo. Duas moças estavam atrás de mim na fila do banco, semana passada. Eu tava viajando, nem prestando atenção em nada. Mas daí uma falou a “palavra mágica” e eu me liguei:

- Menina, é muita câmera de segurança. Olha só: a gente tá aqui na fila e está sendo filmada por uma… duas, três câmeras. Ah, não, são quatro. Olha a outra lá no cantinho.
- É mesmo, é igual “BBB”.
- Por falar em “BBB”, você tá assistindo esse novo?
- Tô, claro! Eu não ia comprar o pay per view desta vez, mas no segundo dia já me peguei ligando pra NET.
- Ihh, eu também. Mesma coisa. E se eu tô em casa tô ligada naquela merda.
- É mesmo, é uma merda. Mas vicia, fofa. Não sei como, mas vicia.
- E o que você tá achando?
- Tô achando o Bial com cara de cansado. Deve tá de saco cheio depois de 10 edições.
- Saco cheio? Pode até estar, mas o bolso também tá lotado.
- Ah, com certeza. Mas eu não tô sentindo aquela animação de antigamente.
- E a volta do Dourado? Meu Deus, aquela louca com cara de traveco colocou ele lá de novo pra quê? Mulher maluca…
- E por falar em traveco, e a bicha?
- Qual?
- O gayzão, que é drag…
- Dicesar? Demaaaaais! Adorei ele. Mas não gostei do gayzinho…
- Ueh, não? Ele é uma graça…
- Graça é minha filha. Ele é muito forçado. E aquele bico à la modelo me irrita. E outra, tem que dar um jeito naquele cabelo.
- Você acha o cabelo dele um problema? E o do Uil? Gente, eu olho e me dá coceira na hora! Ui, imagina três meses sem arrumar aquilo? Vai virar ninho de rato.
- Hahahaha, que nojo…
- Olha, mas eu quero mesmo que a Elenita saia.
- Ihhhh, olha o preconceito, hein!
- Quê, tá doida? Ela não é gay, é a outra!
- Não, não é por isso! É pelo peso dela. Ela é gordinha!
- E daí? Não é por isso não, fofa. Ela é muito chata!
- Prefiro que o traveco saia…
- Qual?
- A Joseane, né! Daí completa a passagem meteórica e sem noção dela pelo programa.

 A moça do caixa gritou nessa hora: PRÓXIMO!

- Ih, vai lá. Eu preciso fazer um depósito aqui voltar pro serviço. Te ligo de noite?
- Liga! E vota na Elenita pra ela sair, tá?
- Tá bom, tá bom, pode deixar. Só pq você tá pedindo com jeitinho…
- “Aiii, Biaaaaaal…” 

"Bial, a energia aqui tá estranha..."

Homem é um bicho bem estranho mesmo. E eu adoro ouvir as conversas deles, porque sempre me rendem posts interessantes. O de hoje (que, confesso, está no meu publicador desde antes do Natal) eu colhi do busão que pego pra ir pra redação. Dois caras subiram no ônibus de um ponto em Ipanema. Eles se sentaram no banco atrás de mim e engatam um papo bem “bacana”:

- Pô, tu viu a Priscila?
- Que Priscila?
- Priscila do Sérgio?
- A gostosa? Que que tem?
- Pô, tá pegando o Fabinho.
- Ah, tá de sacanagem! Tá pegando mermo? A mulé num é casada com o Sérgio, cara?
- É, brother. Sérgio tá pagando de corno pra geral. E nem sonha…
- Pô, eu dava uma surra bonita nessa vagabunda!
- Pode crer, mulé tem que se dar valor, sacou?!
- Saquei, pô.
- Mas ele também tá dando o troco… Pegou a Juju na Lapa, depois do samba de sexta.
- Ai siiiim! Esse é meu parceiro. Juju é responsa, cara. Tu viu ela com aquele biquininho na praia no domingo? Mamãe, o que era aquilo…
- É, Sérgio é malandro, cara. E a vaca da Priscila nem desconfia… Tem que ser assim mermo. Mulé tem que ficar quietinha, no tanque, lavando meia.
- Tô contigo, brother. Pô, vou até ligar pro Sérgio depois e dar parabéns. Juju é mais delícia que a Priscila.
- Cara, delícia mesmo é a Cleo…
- Que Cleo?
- Cleo Pires, pô.
- Ah, tu vai mermo entrar no mundo do “show bizz”?! Tu chegou a ver “Cinquentinha”? O que é a Ângela Vieira, brother?! Mamãe, ô mulé boa!
- Pô, velha, cara…
- Velha? Eu bem queria uma velha dessa… e o Sérgio também iria querer.

E os dois caíram na gargalhada e deram sinal pra saltar do busão.
E aí, Sérgio encara a Ângela? Ou fica entre Priscila e Juju? rs

E aí, Sérgio... vai encarar?

Tá, então vamos lá: sai do “Estadão”, vim de férias para o Rio, reforcei o bronze, procurei emprego, decidi ficar, consegui emprego. Entrei no “MSN Brasil”. Comemorei com o Du, trabalhei, trabalhei, trabalhei. Pulei Carnaval na Sapucaí, cobri Fashion Rio, lançamentos de livros, estreias de teatro, coletivas de novelas. Entrevistei Deus e o mundo. Conheci muuuuita gente, troquei telefone, e-mails, scraps, tweets. Me apresentei, fui apresentada.

Plantei minha semente e vi florecer. Beijei muito, abracei demais, ganhei cafuné da vovó, chorei no colo da vovó, corri pro colo do Du, passei horas na frente do mar… Respirei fundo, de olhos fechados, sorri de leve, abri os olhos e vi que era de verdade. Respirei aliviada, mostrando os dentes.

Senti saudades. Muitas. Demais. Como achei que nunca fosse sentir. Mas daí eu liguei, escrevi, passei torpedo, visitei e tudo bem. Isso passa. E é até bom. Comecei a planejar o futuro que sonho em ter. Completei 5 anos ao lado dele. Chorei de emoção. Ganhei orquídeas. Brancas. Com amarelo. Lindas.

Me irritei, muito. Não tomei Primoris de propósito, para irritar a minha mãe. Não trabalhei em nada meu orgulho. Não me matriculei na academia. Não completei a meta de correr todos os dias (mas estou indo no mínimo duas vezes por semana). Não aprendi por completo a ignorar críticas ruins, e nada construtivas. Não parei de comer McDonalds e nem de tomar Coca-Cola.

Terminei livros que há muito queria ler. Escrevi exageradamente. Coloquei para fora, por meio de palavras, tudo que me afogou. Fiquei mais feliz por isso. Gritei. Briguei. Mas ri, e fiz outros rirem. E fiquei mais feliz com isso. Pensei em virar atriz – como penso desde os 12 anos. Desisti da ideia, acho que dá mais trabalho do que a gente pensa. Pensei de novo em virar atriz. Acho que um dia vai. Pensei em fazer novos cursos.

Estou economizando para comprar minha máquina fotográfica poderosa. Estou economizando para festança com o Du. Estou economizando para Barcelona, ou Paris, ou Londres, ou (de novo) Nova York. Ou só Buenos Aires, ou Parati, Penedo. Estando com ele está bom.

Abandonei o Orkut. Fiz um Twitter. Ainda não me rendi ao Facebook. Mas criei esse blog. E se você você leu até aqui, obrigada pela companhia. Eu sempre tenho a impressão que os últimos dias do ano passam muito devagar. A vontade de ver 2010 chegar com suas surpresas me motiva ainda mais. Feliz Natal atrasado e bora se jogar no branco no dia 31! Estarei em Copacabana, e você?

Hello, Brazil

Me lembro que Jack Johnson virou febre sinistra em 2005. Eu, de cara, gostei do som dele e virei fãzoca. Daí, eu 2006 ele veio para o Brasil fazer show em São Paulo e no Rio. Geral da faculdade comprou ingresso e eu dei mole… fui adiando, adiando, até chegar no dia da apresentação. Óbvio, para tornar a história mais dramática, eu estava totalmente sem grana no dia. Pedi horrores para minha mãe, que quase me mandou para fora de casa de tão pentelha que eu fui, e ela me emprestou a verba.

A gente chegou no Anhembi e faltava pouco para começar. Comprei o ingresso por R$70 e me joguei no som havaiano. Antes de delirar com Johnson, uma galera entrou no palco para fazer o esquenta. Eu reconheci o pianista da banda do Johnson, que comandava os vocais na abertura. Era o Zach Gill, um cara que por si só já é uma figura. Coloca um piano e um microfone na frente dele para ver o estrago que ele faz. Muito bom.

Pra resumir, cheguei em casa e já fui pesquisar a tal banda do Zac. E aqui está, no Conta que eu Conto indica de hoje: Animal Liberation Orchestra, ou A.L.O.. Eles são beeem bons mesmo! Um som delícia e um show até melhor que o do Johnson – não desmerecendo, mas se você escuta o CD do Jack Johnson já sabe o que esperar para o palco. É a mesma coisa, sem pitada de emoção.

Deixo abaixo a letra de “Roses & Clover” e o vídeo, para geral se deliciar! Dicas: “Water Song”, “Girl, I Wanna Lay You Down” (que Zac toca com Jack Johnson), “Maria” e “Monday” são óóóótimas também! Vale muito ouvir. E o novo CD, “Man Of The World”, vai sair em 9 de fevereiro, mas já tem prévia no site:

Roses & Clover
Moon light shining through the trees
An iridescent glow
Call it your destiny
But nobody really knows

It’s a slight variation
On the story of how things start
Roses and clover start growing
And they wrap around your heart

Well there’s no use pretending
That it’s just gonna go away
Roses and clover start growing
And they wrap around your brain

Going down, down, down, down, down
Where the roses and clover grow

Heart beats a nervous tension
Just like in their dreams
But all this feels way too real
To be just what it seems
And the air is getting heavy
And her smile makes him crazed
And he fears that he’ll just disappear
And slide into this haze

Going down, down, down, down, down
Where the roses and clover grow

She’s waiting in the garden, don’t you know

ÓÓÓhhh, meu Deooos!

Eu, como toda mulher que se preze, nunca fui muito fã de baratas. Claro! Elas são atrevidas, nojentas e muito, muito rápidas. Isso me irrita profundamente! Enfim, ontem eu tive de perder esse medinho bizarro. A Ana, ou “anja”, a moça que trabalha em casa, me avisou de forma sutil, para eu não correr de primeira. Eu estava na sala, almoçando, e ela gritou lá da despensa:

- Ôh Marina, vem aqui ver uns negócios aqui com essas caixas…
- É o que, hein, Ana?
- Uns negócios aqui com as caixas que fui mexer e vi umas coisas e…
- Calma, calma, não tô entendendo nada. Tô indo ae.

E fui. E quase morri. Para vocês imaginarem a cena: minha tia morava em Dubai e se mudou para a Califórnia (eu sei, vida muito difícil mesmo). No caminho, passou pelo Brasil e deixou na minha despensa umas oito caixas de papelão com milhões de coisas dentro, como roupas, álbuns de fotos, certificados, documentos, bichos de pelúcia, aparelhos, e muito mais. A Ana foi arrumar as caixas, que estavam tortas, e descobriu uma criação de bichos estranhos entre elas. Eu avisei minha avó que aquilo tava parado há muito tempo. Ninguém ligou e as traças começaram a festa:

- Creeeesto! O que é isso, meu Deooos!
- Tá tudo comido, Nina!! Tudinho!
- Calma, calma, calmaaaaa! Vou pegar o Raid!
- Eu vou abrindo essas coisas. Tem que ver o que dá para salvar!
- Num abre nada, sua louca! Esses bichos brancos nojentos vão sair andando pra todos os cantos!
- Mas daí a gente faz o quê!?
- Putaquepariuuuuu! Abre logo essa merda! Ai, tô tensa! Cadê o Raid?!?!

Peguei o Raid e descobri que o laranja não mata nada! Fui no mercado e comprei 2 latas do preto. Até ganhei brinde! Na volta, passei na lixeira do prédio e peguei três sacos de 200, aqueles gigantes. Quando subi, a situação estava mais caótica que a vida. Minha avó não parava de chorar de desespero e aquilo tava me dando um faniquito louco:

- Vó, quarto, JÁ! Não me pira!
- Ai, minha filha, sempre cuidei tanto da minha casa. Isso é cupim? Vai comer o chão todo. Mandei o homem dedetizar não faz nem um ano. Isso é o quê, Ana? Fotos? Roupas? Joga tudo fora! Ai, que merda. Vai entrar no armário. MATA, MATA! Me dá esse treco preto e SHHHHHHHHHHHHHH…
- Vózinha, deixa que eu vejo isso com a Ana, me dá o Raid, vai…
- Tem que tacar na cara do bicho, viu, Nininha, pra ele respirar o veneno e morrer logo. Cadê meu Rivotril, hein? Preciso dele…
- Isso, vai procurar o Rivotril. Deixa um pouco pra mim, plis.

Depois de cinco horas de limpeza, conseguimos matar todos os bichos, inclusive as baratas. Foi um momento emocionante. A bicha não me desafiou. Ela já olhou para o Raid Black sabendo que ia morrer. Na hora lembrei da cena do Baiano, em “Tropa de Elite” (“Tiro na cara não, chefe. Para não estragar o velório”). Meti na cara da bicha. Grudei ela no chão, a bagaça ficou branca de veneno!

Dona Eunice se acalmou, a pressão ficou controlada, a despensa um brinco, a lixeira do prédio lotada e minha tia com a orelha vermelha de tanto que falamos dela!

* No título: Não tinha percevejo na briga. Era só pra rimar mesmo com “Tapas e Beijos”.

lá lááá lá lá láááá...

A menina na foto aí de cima é Laura Marling, uma britânica de 18 anos que tem que ajoelhar todos os dias no milho para agradecer o talento que Deus lhe deu. É encantador e sinistro ao mesmo tempo. A voz da mocinha é doce e potente. Prende a atenção, chama para a próxima faixa. Hoje é dia de “Conta que eu Conto indica” e Laura é a escolhida.

Vale lembrar: quem me apresentou a fofa foi a olhômetra Ana, minha querida amiga que quase me mata de saudade. A preferida dela é “Ghosts”; eu prefiro “New Romantic” pra deixar aqui hoje. Mas “Cross Your Fingers”, “Failure” e “Alas I Cannot Swim” são bem delícias também. Deixa de preguiça e vai procurar mais vídeos depois, claro, de deixar um comentário para mim aí embaixo sobre a moça! ;]

New Romantic
I know I said I loved you but I’m thinking I was wrong,
I’m the first to admit that I’m still pretty young,
and I never meant to hurt you when I wrote you ten love songs.
But a guy that I could never get ’cause his girlfriend was pretty fit
and everyone who knew her loved her so.
and I made you leave her for me and now I’m feeling pretty mean,
but my mind has fucked me over more times than any man could ever know.

Maybe I should give up, give in,
give up trying to be thin,
give up and turn into my mother,
God knows I love her.

And I’m sorry to which ever man should meet my sorry state,
watch my steady lonesome gait and be aware.
I would never love a man ’cause love and pain go hand in hand
and I can’t do it again.

So we stayed up late one night to try and get our problems right,
but I couldn’t get into his head just what was going through my mind,
and I think he knew where I was going ’cause he put Ryan Adams on
’cause I think he thinks it makes me weak but it only ever makes me strong.
I’ve got this friend who sounds just like him,
and now he’s the man I’d leave you for, the man that I just adore like you.
The same man, he turns to me he said “I’ve got to tell you how I feel,
if god could make the perfect girl for me it would be you
and my god told me not tell about how much do you love your fella?”
I don’t know more everyday
not in this new romantic way.

I’ll always be your first love, you’ll always be my first love.

And I’m sorry to which ever man should meet my sorry state
watch my steady lonesome gait and be aware,
I would never love a man ’cause I could never hurt a man in this way.
I would never love a man cause I could never hurt a man, not in this new romantic
way.

Acho que desde os 14 anos, quando - de fato - eu percebi que ter uma barriguinha “biquinável”, pernas torneadas e cinturinha fina era beeem bacana para uma mulher, eu começo o famoso “Projeto Verão” em novembro. Marco no calendário a segunda-feira escolhida e me jogo com fé na loucura, só pensando na praia, sol, pele dourada e cabelo queimado e fotos pro orkut. A partir daquele dia marcado, é boca fechada pra fast food (me libero na TPM, já que não como doce) e a saladinha é forçadamente obrigatória. Além, é claro, da temida esteira.

Este ano, meu “Projeto Verão” ganhou um up. Com minha mudança pro Rio, a esteira foi substituída pelo calçadão que, convenhamos, faz seu trabalho bem melhor. E até que eu estou bem disciplinada com as corridinhas matinais. Além do up com o calçadão, ganhei também o plus do Salão Bartô, o salão da minha tia, que fica do lado de casa e tem vários serviços de estética para ajudar no processo “tchau, celulite, tchau”.

Um dia, no final de uma das minha corridas, eu parei para alongar e fiquei uns cinco minutos olhando pro mar. Uma mãe chegou com a filha pequena e se sentou perto de mim. A mulher também estava viajando, mostrando para a menina os barcos passando, os surfistas, os vendedores, as ondas…:

- Mãe, mas não desliga?
- O que que não desliga, filha?
- Ueh, as ondas! De noite não desliga?
- Rs, não, filha. As ondas não param nunca.
- Mas o papai outro dia chegou em casa dizendo que o mar tava sem onda nenhuma.
- Foi modo de dizer, filha. O papai quis dizer que o mar tava bem calminho.
- Então, alguém deve ter desligado um pouquinho as ondas.
- Ah é? E quem desligaria uma coisa tão bonita?
- As sereias! Pra elas poderem chegar na areia e depois voltarem pro mar.

A mãe só deu uma risadinha e deixou que a menina continuasse sua história. Eu fiquei com as sereias e a fantasia linda daquela menina na minha cabeça. Depois, acordei do delírio, levantei e fui correr mais um pouquinho. Bem que alguém poderia “desligar” a gravidade e as calorias. Só um pouquinho.

desligandooo...

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